domingo, outubro 08, 2006

HUMOR: DE NOVO, ARISTÓTELES OMORRIS

Se eu fosse americano, teria uma
estátua em cada mictório público

Aristóteles Omorris

Jataí, Sudoeste goiano, Goiás, Centro-Oeste, Brasil, América do Sul, Américas, Hemisfério Sul, Hemisfério Ocidental, Terra, Sistema Solar, Via Láctea, Universo, Vila Santa Maria - Ninguém é santo em sua própria terra, já dizia o velho deitado. Homem venerado em todos os cantos do mundo, cantado em verso, prosa e rap pelos povos de todos os 437 países que já visitei, eu, o incrivelmente modesto Aristóteles Omorris, sou prática e injustamente ignorado em meu próprio e pérfido torrão natal.

É espantosa a ingratidão do brasileiro médio (e medíocre, no caso do titular deste blog). Enquanto passeio - com o nariz tapado, evidentemente - pelas ruas de nossas encardidas cidades, jamais em década alguma alguém se aproximou para dizer um mísero e reles “obrigado”.

Tudo que pediria - mas não prostrado; apenas ajoelhado - era que as pessoas dissessem um sucinto e sincero “obrigado por existir, excelentíssimo, magnífico, estupendo, fantasticamente superior, ofuscantemente lindo, guia extremado dos povos, benefactor da humanidade e ex-campeão de cuspe a distância Ilustríssimo Sr. Aristóteles Omorris”.

Só isso. Que que custa?

Em minha soberba humildade, nunca reclamei o reconhecimento pelos meus mais altos feitos. Nem mesmo quando representei com enorme competência e galhardia o nome de nosso país no exterior. No entanto, os invejosos - certamente liderados por Francisco Cabral - trabalharam para manter tais glórias em indecente anonimato.

Ninguém perguntou, mas vou deixar um pouco a modéstia de lado para relatar uma das vezes em que fiz reluzir o nome do nosso país em terras alienígenas.

Todos devem se lembrar do estranho desaparecimento da mais cara e valiosa coleção de diamantes do mundo, em Londres, há oito ou doze décadas. Profissionais de várias nações se uniram para perpetrar o perfeito roub... quer dizer, a perfeita subtração das preciosas pedras.

E sabe quem era o solitário representante das nossas cores nacionais? Não, ninguém sabe, pois nossa mesquinha mídia fez questão de não revelar que havia no grupo de assalt... ou melhor, de especialistas em extração à revelia de propriedades alheias, um digno nativo verde-amarelo. E tal nativo era o autor destas maravilhosas linhas. Isso mesmo: papai aqui! E qual foi o agradecimento pátrio por eu ter feito bonito lá fora naquela e em outras oportunidades? Zero! Nada! Rosca!

É por essas e outras que, neste segundo turno, continuo ao lado daquele que sempre reconheceu meu valor e que prossegue utilizando-se de meus serviços e de meus métodos. Pau neles, meu rei!

Aristóteles Omorris é tão pobre e deprimido que este será seu epitáfio: “Só não cortei os pulsos porque estava sem dinheiro para comprar gilete”




Arquivo pessoal:
Aristóteles Omorris
quando foi "convidado" a
passar um longo tempo afastado
do convívio em sociedade.
"Foi apenas para
espairecer e colocar
as idéias em ordem",
alegou o colunista

Um comentário:

  1. Lídia Borges4:24 PM

    Q bom conhecer seu espaço na net... Pela primeira leitura - meio rápida, em função do local -, já me pareceu um bom lugar para voltar sempre. Desculpe-me a ignorância, mas são trechos da sua obra? Foi o que entendi, pelos comentários anteriores. Enfim, até o próximo post. Grande abraço!

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